Não tem nada mais gratificante para um torcedor do que ver o seu time do coração praticando um bom futebol, com muita raça e disposição em campo. Ao final da partida o torcedor deixa o estádio com a alma lavada e com o sorriso de orelha a orelha. O futebol volta a ser realmente sua diversão, algo que lhe faz esquecer as dificuldades e os problemas do seu dia-a-dia. A camisa do seu clube do coração torna-se seu maior motivo de orgulho. Os dias que antecedem ao próximo jogo do seu clube tornam-se mais leves e mais alegres.
A última vez que o Figueirense teve um time que jogava bonito foi em 2006. O time encantava a torcida e tinha a cara do treinador Adilson Batista. O time tinha um toque de bola envolvente e a mudança constante de posição dos atletas confundia os adversários. Dava até gosto de ir ao estádio ver o Figueira jogar. É difícil ter um torcedor alvinegro que não lembre a escalação daquele esquadrão. Muitos jogadores daquele time ainda brilham nas principais equipes do país. Marquinhos Paraná, Henrique, Soares e o treinador Adilson Batista estão no Cruzeiro. Chicão no Corinthians. Rodrigo Souto no São Paulo. Carlos Alberto esta no Atlético Mineiro. Cícero deu um pulo maior e foi jogar na Alemanha.
Passado quatro anos, o Figueirense volta a formar um time que vem jogando bonito e que vem conquistando o carinho do torcedor alvinegro. O time, formado sem muitos recursos, ao invés de ter jogadores medalhões, é composto na sua maioria por jovens valores. Os poucos veteranos do grupo são jogadores identificados com a tradição da camisa preta e branca. São jogadores que passaram pelo Figueirense e conquistaram a confiança do torcedor.
Longe de mim querer traçar um comparativo da equipe de 2006 com a de 2010. Os tempos são outros. Nossos recursos são escassos e estamos na série B. Apesar do elenco não ser tecnicamente primoroso, o time joga numa velocidade que impressiona a todos. Como é bom ver o garoto Lucas voando pela lateral direita. E dizer que esteve para ser dispensado pelo alvinegro ainda nas categorias de base do clube. Como é bom ver o poder de definição do jovem Roberto Firmino, que apesar da pouca idade vem aproveitando as oportunidades. Na frente o atacante Willian vem demonstrando todo o seu talento para marcar gols e sua eficiência para servir os companheiros.
O novo Figueirense é abusado. Joga para frente. Não tem um grande sistema defensivo, mas tem um ataque que vem resolvendo os jogos. Méritos ao treinador Márcio Goiano, que logo identificou que o time foi montado para jogar no ataque.
Não sei dizer se o atual time do Figueirense tem cacife para ser campeão catarinense. Mas se continuar demonstrando o bom futebol da última partida, já estarei feliz. Os torcedores dos demais clubes catarinenses sabem que o alvinegro é time de chegada. Não se surpreendam se o Figueirense se agigantar ainda mais na reta final do campeonato catarinense.
Você conhece o Roberto Luiz?
Pesquisando na internet, acabei encontrando um blog que vem resgatando a história do Figueirense como nenhum outro. É o blog do Roberto Luiz dos Santos Vieira. Ele vem fazendo um levantamento dos campeonatos catarinenses e brasileiros que o Figueirense disputou desde a década de 80. Nesse levantamento tem o resultado de todos os jogos, escalações, público do jogo, artilharia, entre outras informações. Vale à pena conferir clicando aqui. Sem dúvida nenhuma um belo trabalho.
Se perguntar não ofende...
Por que toda a vez que o Avaí tem um jogo difícil fora de casa a FCF escala o Célio Amorim ou o Dadá para apitar?
O caminho das pedras
É da característica do torcedor de futebol opinar sobre a gestão do seu clube. E todos nós acabamos opinando como se estivéssemos tratando de um jogo de tabuleiro como o Banco Imobiliário, por exemplo. O certo é que ainda não descobriram a fórmula para o sucesso. São poucos os profissionais da bola que conseguem se manter no topo por muitos anos. O básico da administração do futebol muitos conhecem. Mas “o caminho das pedras” são poucos os que conseguem trilhar.
* Foto de Carlos Amorim
